janeiro 22, 2005

Informação

O semanário «Primeira Página» que se edita nas regiões de Setúbal e Palmela, tem esta semana um artigo de Jorge Santos, director do site «Repórter.Online», onde o autor da coluna Verticalidades chama a atenção pela forma como os telejornais nos impingem a campanha eleitoral.

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Nas quatro décadas que levo nesta vida de jornais, noto que deixou de haver uma certa solidariedade entre jornalistas, os quais se deixam arrastar pelas guerras das audiências, como se escrever para um jornal que tira mil exemplares não seja tão digno como trabalhar para o maior periódico do Universo.

É verdade que um grande meio de Comunicação Social (jornal, rádio, televisão ou online) terá, como é evidente, muito mais meios e condições para que os profissionais desenvolvam o seu trabalho de investigação e tratamento da informação do que um pequeno jornal ou rádio local.

No primeiro caso os órgãos são, maioritariamente pertença de grandes grupos financeiros, com interesses definidos. No segundo, jornais e rádios são sustentados graças à carolice de um ou outro “maduro” que gosta de servir a comunidade e que tudo faz para conseguir alguns patrocínios publicitários para suportar despesas.

E é nestes pequenos meios de Comunicação Social locais ou regionais que tudo se torna muito mais difícil. Aqui escasseia o pessoal para poder cobrir todos os acontecimentos que merecem destaque (e nas pequenas localidades tudo é, e com razão, merecedor de notícia) e raramente se encontra solução para tornar público o acontecimento.

Quantas vezes nestas redacções se recorre à elaboração de uma notícia com base num fax ou num mail remetido por uma autarquia, escola, colectividade, instituto ou outro organismo que mereça crédito.

Mas, nas televisões, onde nada falta, é verdade que não se dão notícias com base em faxes nem mails, mas utilizam-se as “modernas” tecnologias fazendo directos, previamente marcados para a hora dos telejornais, onde o promotor diz o que quer, durante o tempo que quer, dando-se ao luxo de não permitir perguntas.

Basta estarmos com atenção ao que se noticia de campanha eleitoral para vermos o que é jornalista a fazer de “pé de microfone” em comício ou visita e no fim ainda se dá oportunidade para autênticas acções de propaganda.

Publicado por dizerbem em janeiro 22, 2005 09:30 PM
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